Uma noite de lua cheia, céu imensamente estrelado como toda a Via Láctea brilhante e sinal de grande pureza em acontecimentos mitológicos, uma brisa calma e serena, um cheiro a rosas e a alecrim que me conduziu a aquela secreta praia de rochas azuis e cor-de-rosas que pareciam berços rochosos. A areia, sim a areia muito maca nunca experimentada, parecendo tocar numa fofa almofada de pêlo, o mar ondulado pois todos os deuses e deusas do Olimpo se encontravam sentados nas suas poltronas, pousadas sobre as ondas de leve espuma, que ao longe pareciam faróis a piscar e um pequeno barco no horizonte.
Quem era, pensei eu, entretanto algo subiu e voou em minha direcção.
Não dava para acreditar um bebé anjinho de asas esbeltas e belas, uma aura dourada e uns olhos verdes que eram um jardim ou um campo com bastantes espigas de milho. Com uma certa alegria e ao mesmo tempo um certo medo que fazia meu coração palpitar ao som do relógio da catedral, pegou-me ao colo e levou-me para um espaço desconhecido e longínquo, velozmente como uma linda pantera malhada de focinho afiado.
Sim, não podia crer, tornei-me uma sereia esplêndida, vigorosa e exuberante como uma linda rosa no meio do planeta Vénus. Entretanto, diante dos meus olhos, passaram três sereias acompanhadas com os seus príncipes marinhos sentados em cavalos esquisitos e, foi nesse momento que me passei de uma linda sereia a um fantasma. Vagueando entristecida, um farrapo velho no meio de tanta beldade e de tanto espanto. Sim, um dia gostaria de ter a personalidade de uma lança e a doçura de todo aquele mundo real mas, para mim era uma irrealidade.
Sozinha, o meu lugar era a solidão mas deitando-me numa pequena cascata que como caminho me conduzia a algo, talvez à felicidade, talvez ao amor ou ate mesmo à amizade. Vi ao longe a deusa mais esplêndida que alguma vez tinha contemplado que me ofereceu uma pedra, esta que era diferente de todas as outras de todo o mundo, pois tinha a finalidade, o poder de nunca ficar triste.
Em milésimos de segundo, tudo apagou perante os meus olhos e foi quando cheguei á praia onde um anjo à minha espera me fechou os brilhantes da minha visão. Quando os abri estava em minha casa, no meu quarto, na minha cama deitada com a pedra e um fio pendurado no meu pescoço. Muitas questões, perguntas mas sem qualquer resposta, apenas a partir dessa noite nunca deitei uma gota, uma pequena lágrima do meu rosto.